Miguel offerecendo-lhe o bordão de paralytico aconselhou:

—Com este é que elles se ensinavam. Já lá andam taludos, dos que não vão a palmatoria.

—É o que elles mereciam, é—applaudiu Luiza.

—Isso tambem não, mulher!—entendeu o cura. Um pau molesta de mais, pode fazer sangue ou quebrar algum osso. É bastante uma palmatoria puchada com valentia, como eu o sei fazer. Mando logo chamar o Corcunda para lh'a encommendar. Deixa que se elles virem, pendurada na sachristia, a santa Luzia de cinco olhos, não tornam a apparecer sem trazerem o recado na ponta da lingua.

—Vossa Senhoria—commentou o Miguel—para essas coisas de bater... O senhor abbade, quando por ahi vinha, sabia-os tosar melhor, se os garotaços faltavam á obrigação...

O Carvalhosa retomou a sua energia:

—Estás parvo, homem! A questão é fazerem-me chegar a mostarda ao nariz. Mas vamos ao que serve—disse mudando de tom.—Do vosso Luiz, não tem havido noticia nenhuma... nenhuma?...

—Nenhuma... nenhuma...—responderam os dois n'um unisono triste.

—E tendes perguntado?

—Se temos!—disse Miguel. Sempre que sei de alguem que chega do Brazil, se as dores das juntas me dão licença, lá vou ter com essa pessoa... Mas até agora nada, nada!...