As allegorias do Leão dormente e do Porco selvagem, que das prophecias de Merlin passaram para o poema da batalha do Salado, tambem se reflectem nas prophecias de Bandarra no seculo XVI, da mesma fórma que a lenda da immortalidade e vinda do rei Arthur para vingar a raça bretã, se personificou em D. Sebastião, vivendo em uma ilha encantada para vir fazer de Portugal o Quinto Imperio do mundo.

Junto com o livro de Merlin andava tambem o poema de Tristão, nos manuscriptos da Edade media. Na côrte de Dom Diniz era Tristão considerado o typo ideal do namorado, e o proprio monarcha trovador diz que o excede:

Qual mayor poss’e o muy namorado

Tristã, sey ben que non amou Iseu,

Quant’eu vos amo, certo sey eu...

(Canç. n.o 115.)

E compara-se tambem a outro modelo dos amantes exaltados, idealisado no romance de Flores e Brancaflor, que se liga pelo encadeamento cyclico ás gestas carlingias. Os trovadores provençaes citavam esse typo do namorado:

Quar plus m’en mi abellida

Non fis Floris de Brancaflor[136]

E o rei Dom Diniz empregava a mesma comparação: