Sazom foi já, que me teve em desdem (n°. 4) Tal sazom foi, que me teve em desdem (nº. 569).

Que com'é mais j'agora seu amor (n°. 4)
Quando me mays forçava seu amor. (n°. 569).

E ora que pes'a mha senhor (n°. 4)
E ora mal que pes'a mha senhor (n°. 569).

Evidentemente estas duas canções foram colligidas de dois cancioneiros parciaes, e elles mesmos escriptos em grande parte de memoria.

A canção 13, de Mem Rodrigues Tenoyro, têm apenas uma estrophe, mas repete-se sob o numero 319 com o nome do mesmo trovador e com mais duas estrophes que a completam. Deve attribuir-se essa divergencia ao ter sido colligida de dois cancioneiros, formado por diversos collecctores.

A canção 29, assignada por João de Guilhade, repete-se sob o numero 38 com o nome do trovador Stevam Froyam; existem entre ellas leves variantes, mas como estão immensamente deturpadas, só pelos dois textos se reconstruem. Por este facto se vê, que houve compilação de dois cancioneiros, e que o copista mal percebia a letra e fazia selecção das canções.

A canção 116 e 174, do cancioneiro de Dom Diniz, são uma e mesma, havendo entre estes dois numeros variantes, e sobretudo a 2ª e 3ª estrophe alternadas. Não proviria isto dos originaes, escriptos por esmerados copistas, que se guardaram na Bibliotheca de el-rei Dom Duarte; este facto prova-nos, que o corpo das canções de Dom Diniz, que na collecção Vaticana occupa dos n.'os 80 até 208 proveiu de copias avulsas de differentes palacianos, e talvez do proprio Conde D. Pedro.

A canção 241, do trovador Payo Soares, apparece com o numero 413 repetida sob o nome de Affonso Eanes de Coton (Cordu); tem apenas uma rapida variante ortographica, mas tanto o facto da repetição, como o da attribuição a dois trovadores differentes accusam duas colleções parciaes.

A canções 457 e 469 pertencem a Ayres Nunes Clerigo e são uma unica, com a differença que as trez strophes de que constam, tem os versos baralhados sem systema; o que se explica pelo caracter jogralesco, isto é, que foram duas vezes colligidas no tempo em que eram cantadas a caprixo de Ayres Nunes ou de qualquer outro jogral, que as sabia de cór; ou então, que provieram de dois cancioneiros onde as duas canções se differenciavam pela razão acima indicada.

A sirvente 472 de Martim Moxa apparece sob o numero 1036, em nome de Lourenço, jograr de Sarria, com variantes fundamentaes, que provam compilação de dois cancioneiros diversos. O caracter sirventesco fez talvez que varios jograes regeitassem a paternidade d'essa canção que verbera os privados da côrte de D. Affonso III.