O terror converteu-se em alegria, irrompendo uma gargalhada estrepitante. Então levantaram Ouriato sobre os hombros, alguns dos companheiros que com elle escaparam da carnificina de Galba; e á luz das fogueiras do arraial, elle fitou as catervas que contemplavam o pastor destemido. Brandindo no ár a foice roçadoira, que sempre o acompanhava, Ouriato proferiu:

—Eu juro, mais do que pela minha vida, pela liberdade d'esta nossa Lusitania, que salvarei o exercito, com tanto que me obedeçam, na execução do plano. D'isso depende o exito completo.

Cavalleiros, peões, fundibularios, todos sem reserva ergueram os braços dextros para o ár, como symbolo sacramental, bradando unisonos:

—Juramos obedecer-te! até á morte.

—Ouriato é o nosso chefe.

—Ouriato manda sobre nós todos; ninguem tem mais poder do que elle.

E collocando Ouriato sobre um grande escudo feito de coiro crú, quatro valentes hastarios erguendo-o bem alto, levaram-o em redor do acampamento em uma marcha solemne, parando de vez em quando para gritarem:

—Ouriato é o nosso chefe!

—Ouriato manda sobre nós todos.

—Obedeçâmos-lhe até á morte.