O Consul, como homem culto, estava interessado pelas rimas do prisioneiro lusitano, que lhe pareciam barbaras mas impressionantes; e disse-lhe:
—Prometti-te a liberdade; para que a obtenhas de vez, é preciso que proclames em voz alta: «Viva o poder da grande e generosa Roma!»
O prisioneiro olhou desdenhosamente para Quinto Fabio, devolvendo com secura, e como em um arranco de morte:
—Volto para o ergástulo.
E murmurando entre dentes com entranhado rancor, ao retomar as algemas:
—A Cerva branca ainda hade dar bastante que fazer aos Romanos! Oh, se hade!
A festa dos Acroamata era poucos instantes depois interrompida; chegára uma ordem cathegorica chamando a Roma Quinto Fabio Maximo Emiliano, e determinando-lhe a entrega immediata do commando do exercito consular ao novo general Quinto Cecilio Metello.
[XXXIX]
Com ordem expressa do Senado de abafar a insurreição o mais depressa possivel e de reduzir Viriatho aos seus incertos recursos, desembarcou em Tarragona o Consul Quinto Cecilio Metello, que vinha acompanhado do Pretor Quinccio.
Corria o anno de DCXI da fundação de Roma; Metello informou-se da situação da Celtiberia, e sabendo que os Arevacos se tinham rebellado, foi pôr cêrco a Numancia, de preferencia, para ahi contêr o cabecilha Salondico, evitando que se unisse com Viriatho. N'esse anno memoravel começou o grande cyclo da Guerra numantina, que durou dez annos, terminando em DCXXI pelo suicidio heroico e espantoso dos vencidos. O Consul Metello entregou o segundo corpo do exercito ao Pretor Quinccio, encarregando-o de ir combater Viriatho, que estava proximo da margem direita do Tagus.