Que, antes de proceder e de pôr as suas condições, mandava perguntar a Serviliano que vantagens offerecia para que o exercito romano fôsse salvo.»—
Os parlamentarios, que tinham partido levando ao alto ramos de oliveira, não se demoraram muito tempo; traziam a mensagem de Serviliano:
—«Que da parte do Consul Quinto Fabio Maximo Serviliano, pelos poderes que lhe tinham sido conferidos pelo Senado, lhe entregavam um Cinto de ouro, como insignia de auctoridade soberana;
Que poderia Viriatho desde aquelle momento considerar-se Rei da Lusitania, e fiel Alliado de Roma, sendo o seu primeiro acto a assignatura de um Tratado de Paz e a dissolução do exercito.»—
Quando Viriatho leu essas condições sorriu-se com um superior desdem; e sem demora tornou a enviar os Parlamentarios com os Cavalleiros romanos que os acompanhavam, para dizerem a Serviliano:
—«Que das suas propostas só acceitava a Paz firmada pelo Consul e ratificada pelo Senado, em que se assentasse para sempre o reconhecimento da liberdade e independencia do Povo lusitano na sua terra, e da propriedade dos fructos do seu trabalho.
Que a Lusitania nada queria de Roma; e quanto a elle Viriatho não acceitava o titulo de Rei, mas unicamente a simples denominação de Amigo, dada pelo Senado romano.»—
A mensagem de Viriatho não podia deixar de ser adoptada por Serviliano, porque se limitava exclusivamente ao Tratado de Paz. E o Consul comprehendia o intuito leal de Viriatho, porque aquelle mesmo homem, que estando o exercito lusitano perdido recusou a Paz que Vetilio concedera, era quem agora, tendo o exercito romano entregue ao seu arbitrio, propunha como resultado da victoria uma simples clausula: um Tratado de Paz assignado pelo Proconsul e ratificado pelo Senado e Povo romano. Era nada menos do que a pacificação da Hespanha e o poder de Roma assentando sobre o Direito em vez da espada.
O Tratado foi redigido com todas as formalidades do Direito das Gentes, e Serviliano assignou-o como Proconsul; Viriatho firmou-o tambem enumerando os povos lusitanos que representava. Trocaram-se os diplomas authenticos, um que devia ser apresentado por Serviliano ao Senado em Roma, e o que ficava em poder de Viriatho, como garantia da Paz. N'esse dia os dois exercitos passaram em festa, ficando no campo as tropas de Viriatho, até que o exercito proconsular deixasse de ser visto seguindo em marcha para o seu quartel de inverno.