Ao aproximar-se de Viseu, tres raparigas robustas e esbeltas, trajando vestidos garridos, com suas arrecadas de ouro, vieram collocar-se diante do carro de Lisia, e foram seguindo-a cantando-lhe uma Canção de marcha nupcial. Pelas suas vozes, como excellentes cantadeiras, bem conhecidas, espalhavam alegria em volta de si; eram Caenia, Aponia e Nilliata, de que Viriatho se recordou com jubilo. Fôra ao subir da serra dos Herminios que ellas lhe fallaram de Lisia, e é com o mesmo encanto que agora entôam a
Marcha nupcial
Bem vindo o par ditoso
Para a nova morada!
Do amor o laço forte
Não o desata a morte.
Pelo braço do esposo
Lá vem a bem casada!
Laço que a união celebra,
Nem mesmo a morte o quebra.
Como ao tronco ramoso
A vide entrelaçada,
Que outro laço mais ata?
O filho que os retrata.
Que encontre infindo goso
N'esta união consagrada
O par, que vem sorrindo;
Par ditoso, bem vindo!
Estava a terminar o trajecto festivo, e começava a terceira parte da cerimonia do casamento, em que a entrada da esposa em casa do marido se fazia por um rapto, pelo qual este, sem que ella tocasse com os pés no limiar da porta, a introduzia junto do lar, no novo culto domestico pela sua auctoridade de chefe da familia, que assim a iniciava por sua vontade. Era ahi que devia ser partido o pão entre ambos, diante do fogo do lar, bebendo n'essa communhão para a vida e para a morte, unificando as almas por um sacramento indissoluvel. Passou-se rapidamente este acto, porque era immensa a multidão de gente de todas as terras da Lusitania que esperavam os noivos na Cava de Viriatho aonde se formára um esplendoroso arraial, em que se expozeram todas as riquezas naturaes e industriaes da terra.
Alli se encontravam os Chefes das Contrebias, acompanhados dos seus ambactes, com os presentes offerecidos aos noivos.
Conheciam-se logo entre a multidão jubilosa os principaes chefes dos Castros e Citanias da Serra da Estrella; e diziam os curiosos:
—Olha o chefe do Cabêço do Crasto de Torvosello! E o do Crasto de Tintinalho? O do castello de Reigoso!