Foi alli dentro da Cava que se armaram as mezas para o festim nupcial; alli estavam as pipas do vinho palhete, e as fructas com abundancia. A variedade dos trajos e as physionomias dos individuos que representavam a nação desde os Gallaicos até aos Cuneos, davam uma impressão viva e sympathica de um forte povo que tinha uma feição propria, e que queria viver livre. As dansas eram continuadas, simulando combates, e saltos espantosos. Homens e mulheres fórmam bandos, em frente uns dos outros, alternando os versos da Canção, e um Côro dos homens antigos que as presenceavam é que ia repetindo o refrem, em que soava o nome de Viriatho.
Foi á meza do banquete, que Viriatho se ergueu, junto de Lisia, e tirando do seu pescôço a Viria ou Collar de ouro do commando, que até áquelle dia trouxera, o collocou no pescoço da formosa esposa, abdicando alli deante de todos do poder militar que lhe tinha sido confiado, e confinando-se na vida pacifica do lar. D'alli em diante o symbolo da guerra ficava uma joia, adorno da graça feminina; e a arma tornar-se-ia utensilio de trabalho.
O banquete correu animado e sempre cordato, dentro das muralhas da Cava, que era n'aquelle momento um arraial pacifico, nunca visto. Á medida que os grupos se iam levantando da meza, na planura vasta da Cava desenvolviam-se os jogos guerreiros, a vapulação, os saltos, os sarilhos, as luctas athleticas, e ouviam-se brados acclamatorios:
—Viva a Callaecia!
—Viva a Vettonia!
—Vivam os Carpetanos!
—Vivam os Oretanos!
—Viva a Beturia!
—Viva a Cynesia!
N'aquelle momento Viriatho ergueu-se com uma taça de vinho rubro na mão, e unificando todos aquelles gritos, que representavam o espirito separatista das differentes terras, proferiu com a voz timbrada e sonora acostumada ao commando: