Capitulos:

[I]—A Reforma Suissa sob Zwinglio.
[II]—A Reforma em Genebra, sob Calvino.
[III]—A Reforma em França.
[IV]—A Reforma nos Paizes Baixos.
[V]—A Reforma na Escocia.


CAPITULO I
A REFORMA SUISSA SOB ZWINGLIO

As reformas suissa e allemã, [pag. 57].—A situação politica da Suissa, [pag. 58].—Ulrico Zwinglio, [pag. 60].—As theses de Zwinglio, [pag. 62].—A Reforma em Zurich, [pag. 63].—Basiléa, [pag. 64].—Berne, [pag. 64].—Os Cantões Florestaes, [pag. 64].—Caracteristicos da Reforma de Zwinglio, [pag. 65].

As reformas suissa e allemã.—A Reforma na Allemanha tem geralmente chamado mais a attenção do que a revolta contra Roma na Suissa. O conflicto com o imperador, que ella provocou, o seu rapido alastramento, o numero de estados e reinos que adheriram a ella, a parte que as universidades, onde estavam matriculados muitos estudantes estrangeiros, tomaram no movimento, tudo isso contribuiu para que Luthero e a Allemanha adquirissem mais conspicuidade do que Zwinglio e a Suissa; mas, se devemos julgar uma Reforma mais pelas suas consequencias do que pelos seus principios, o movimento começado na Suissa foi ainda mais importante do que o que teve Wittenberg por centro. Com o decorrer do tempo, foi-se reconhecendo que as idéas dos reformadores suissos, tanto pelo que lhes dizia respeito como pelo que dizia respeito á organização da egreja, podiam ser facilmente transplantadas para outros paizes, e de ahi veiu que as egrejas de França, da Escocia, da Hungria e uma grande parte das da Allemanha receberam melhor as tradições de Zwinglio e de Calvino do que as de Luthero e de Melanchthon.

Isto é talvez devido ao facto de que os grandes theologos da Reforma no sul da Europa eram menos inclinados a submetter-se ás tradições, tanto doutrinaes como de qualquer outro genero, da egreja medieval, mesmo em assumptos que para algumas pessoas pareciam ser de pouca importancia, sob o ponto de vista da fé, e insistiram logo desde o principio em que se devia seguir as claras instrucções da Escriptura, tanto as que se referem aos pequenos casos como aos de muita importancia. Nem Zwinglio nem Calvino queriam adoptar a doutrina da presença real pela razão de a egreja medieval a ter adoptado, e não experimentaram aquella dificuldade que Luthero teve sempre em fazer uma coisa de um modo differente de aquella em que os seus antepassados a faziam.

É provavel, comtudo, que houvesse uma outra razão que tivesse a mesma força, e que essa razão se deva procurar nas idéas politicas e na educação do povo suisso. Na egreja medieval os direitos dos christãos tinham desaparecido inteiramente. Quando alguem fallava em egreja, referia-se ao papa, aos bispos, aos abbades, aos frades, ás freiras e aos padres; não se referia á grande corporação dos christãos piedosos, que constituiam, realmente, a egreja de Deus.