—Vocemecê anda sobre as aguas do mar?... ([pag. 165])
Na mesa, esplendidamente adornada pela baixella que Tristão havia comprado, sobresaíam as tres netas de Apollo, com que o visconde havia presenteado o seu amigo.
—Eis a alegria da meza, disse Tristão voltando-se para o visconde e apontando ao mesmo tempo para o magnifico centro.
—O que lhe peço, replicou o visconde, é que me não esteja todos os dias envergonhando com esse objecto, que se algum valor teve para mim, foi o de agradar a vossa excellencia.
—Não me cançarei de o gabar, continuou Tristão, offerecendo um logar ao visconde entre sua esposa e Magdalena.
—Tenho vindo todo caminho a dizer a seu esposo, que deve acceitar o titulo que brevemente lhe vae ser offerecido, disse o visconde voltando-se para D. Maria Egypciaca. Já tres ou quatro pessoas me disseram que el-rei o senhor D. Pedro V, encantado pelos seus serviços, tenciona agracial o com um titulo condigno ao seu merito. Sabe o que me respondeu? que não queria acceitar coisa alguma; que para recompensa, bastava-lhe o prazer que experimentava em ser util á humanidade. Isto á luz da philosophia é uma grande verdade, mas para o mundo acho uma loucura!
—Sou quasi da opinião de meu marido. Basta que se chame Tristão de Almeida. De seus paes herdou esse nome sem a mais pequena macula, é razoavel o seu desejo em o querer conservar até ao ultimo momento da vida.
—São vossas excellencias da opinião de sua mãe? perguntou o visconde dirigindo-se ás filhas de Tristão.
—Pela minha parte é-me totalmente indifferente, respondeu Magdalena.
—E vossa excellencia... accrescentou o visconde voltando-se para Olympia.