—Lembra-te de gratificares os criados, pobres diabos! Não te parece?
—Eu dava lhes, mas era com um pau, sr. visconde. Não ha maior cafila do que são os criados d'este tempo.
—Porque dizes tu isso?
—Tenho os meus motivos. Isso fica para mais tarde. Não imagina o prazer que terei se vossa excellencia se pozer em dia com toda esta gente.
—Bem, podes retirar-te.
D'alli a uma hora, dirigia-se o visconde para o escriptorio de Vaz Mendes onde Tristão de Almeida havia mandado ordem pela manhã para que entregasse trinta contos de réis ao visconde de Coruche.
—E para que é todo este dinheiro, sr. visconde? perguntou-lhe o banqueiro, lendo-se-lhe nos olhos a inveja e a cobiça. É para algum outro hospital aonde os meus serviços estão dispensados?
—É para a infancia desvalida, respondeu o visconde, mettendo n'algibeira—sem os contar—os maços de notas que recebêra da mão de Vaz Mendes.