Na face pallida de Balbina, desenha-se-lhe o soffrimento. Marianna parece acompanhal a nas suas tristes meditações.

—Vossês não me dirão o que têem? murmurou Jeronymo. Quando a nossa vida se apresenta debaixo dos melhores auspicios, é que principiam a entristecer? O mesmo notei em Martha. Antigamente, era sempre alegre e jovial, agora, custa os dias da vida, primeiro que se lhe arranque um ar de riso. Valha-nos Deus! Não ha felicidade completa.

—Isso é uma desconfiança tua, respondeu Balbina.

—A mim não me enganam vossês, replicou Jeronymo, levando aos labios um copo de vinho. Pela minha parte, ando cá como o outro que diz, meio desconfiado de uma coisa. Permitta Deus que me engane, ajuntou elle, voltando-se para a tia Marianna, que dirigira um olhar significativo á esposa do operario.

—E de que estás desconfiado, Jeronymo? accudiu Balbina, voltando se para seu marido.

—Se eu não desabafasse com vossês, que são a minha familia, com quem havia de fazel o? Creio que não era com a tia Monica ou outras quejandas! Lá vae. Ando desconfiado, como ha pouco lhes dizia que a nossa Martha está assim meia apaixonada pelo sr. Manuel. Isto foi uma pancada que me deu o coração; talvez que não passe de um máu juizo. Mas o que é certo, é que nunca mais lhe tenho visto brilhar os olhos de alegria, senão duas ou tres vezes que esteve defronte d'elle. Lá isso é que ninguem me póde negar.

—Pois uma vez que foste tu o primeiro a falar sobre isso, pergunta agora á tia Marianna o que estavamos dizendo quando tu entraste, respondeu Balbina, olhando ao mesmo tempo para a sua amiga.

—Ha mais de oito dias que andamos a pensar n'isso, disse a tia Marianna voltando se para o operario.

—Valha nos Deus, Balbina! E como havemos de impedil-o?

—Não sei, respondeu Balbina, profundamente entristecida. Sabes o que me disse a tia Marianna? accrescentou ella. Que o sr. Manuel era por força um homem muito de bem; bastava ver a maneira como elle se portou com a nossa filha.