—Tudo isso é uma grande verdade, Balbina, mas, em qualquer dos casos é sempre uma infelicidade. O coração de Martha é... nem eu mesmo sei a que o compare. É uma especie d'estas fasquias que a mais pequena aragem as dobra, mas se lá vem um tufão... ficam logo quebradas pelo meio. Além d'isso, ella bem conhece a distancia que a separa do sr. Manuel, e é capaz como o outro que diz de afogar em si tudo quanto está soffrendo.

—Sou da sua opinião, sr. Jeronymo; Martha é um anjo, e será capaz de morrer, confiando apenas a Deus o segredo que a assassina!

—Eu só o que desejava saber era a maneira de nos encaminharmos em tudo isto, continuou Jeronymo levantando-se da mesa.

—A sr.ª Marianna que nos aconselhe, que é mais velha e tem mais mundo do que qualquer de nós, acudiu Balbina dirigindo-se á sua amiga e companheira.

—Que lhes poderei eu aconselhar, meus bons amigos? respondeu a tia Marianna. Se esse individuo é um homem de bem como eu supponho, e se Martha lhe não foi indifferente, é de crêr que mais dia menos dia o possamos tornar a ver, e, n'esse caso estarei muito prompta a falar-lhe. Não lhe vejo outro remedio, sr. Jeronymo. Prouvera a Deus que fosse hoje o dia. Quanto ao que vossemecê diz, que uma grande distancia os separa, não me parece. Não póde elle ser como Martha, um filho do povo? E sendo assim, não vejo desegualdade de pessoas.

—E se o não fôr? perguntou Jeronymo. Se fôr um fidalgo, um ricasso...

—Torno a repetir-lhe, respondeu Marianna, homem de bem é que eu tenho a certeza que elle é. E a prova foi não ter tornado a apparecer.

—Isso lá é que é a pura da verdade, acudiu Balbina. Tinha trezentos meios para a ter visto.

N'este momento, parou um trem á porta do operario. Eram as filhas de Tristão que vinham trazer a casa a sua amiga.

—Forte delambida! dizia a tia Monica voltando-se para uma visinha, quando Martha se apeava do trem.