Tristão de Almeida, como o leitor deve fazer ideia, conhecia todos os individuos que estavam presentes, e melhor do que a elles todos a Gil de Carvalho, com quem por mais de uma vez se havia associado.
Ou por calculo ou porque lhe recordassem com saudade as sensações do jogo, Tristão propoz ao visconde que se fizesse monte.
—Estão em sua casa, respondeu-lhes o visconde. Eu também não desgosto de vez em quando arriscar duas ou tres duzias de libras.
Gil de Carvalho estremeceu de jubilo; Bernardo de Paiva exultou de contentamento. Encontrava um meio de adquirir uma ou duas duzias de moedas, jogando sempre na alforreca.
—Quem ha de fazer o monte? eu não por certo, disse o visconde, foi coisa para que nunca tive geito.
—Nem eu tão pouco, acudiu o commendador.
—Visto vossa excellencia ser banqueiro, ajuntou Bernardo de Paiva, dirigindo se para Vaz Mendes, o banqueiro de Tristão de Almeida, pertence-lhe por direito.
—Que o faça o sr. Gil de Carvalho que está mais acostumado a pegar em cartas.
—Resta agora saber se ha cartas em casa. Mas isso pouco importa, mando-as alli buscar ao Club, disse o visconde.
—Estranha coincidencia! exclamou Gil de Carvalho, mettendo as mãos no bolso do peito da casaca, minha mulher tinha-me pedido hoje que lhe levasse dois ou tres baralhos para fazer a paciencia, e ainda aqui estão. Podem servir estas.