—Pois sim, pois sim, vá sempre dizer-lhe que é a tia Monica, a quem deu ordem para que viesse aqui hoje sem falta. Ande, avie-se; verá se me fala ou não.

—Já lhe disse a vossemecê o que tinha a dizer-lhe. Escusa de me importunar mais.

—Deixa estar que eu te direi, dizia a velha comsigo. Alcance eu o que desejo, e verás como te ponho no andar da rua, só pelo mal que me estás tratando. Estejas tu meu traste mais oito dias sem cá vir, e eu te direi, como te ponho tambem no meio da rua, minha Martasinha.

—Então vossemecê, vae ou não vae! ajuntou a tia Monica em voz alta, voltando-se de novo para o porteiro.

—E ella a dar-lhe, e a burra a fugir, disse o guarda-portão, voltando-lhe a cara para a banda, e continuando a varrer o patim. Se vossemecê continua a atormentar-me subo lá acima e digo ao mestre Jeronymo que lhe pegue por um braço e que a ponha fóra da porta. Forte impertinente! cruzes, canhoto!

—Ora sempre haviamos de ver isso, se o tal mestre Jeronymo seria capaz de pôr no meio da rua uma pessoa mandada aqui vir por uma das filhas do dono da casa! Faça isso, sr. Antonio, até desejo que o faça. Ande, então...

N'este momento, uma enfermeira que vinha de jantar, entrou apressadamente no hospital.

—Tem a bondade de dizer á sr.ª D. Magdalena que está aqui a tia Monica, e que lhe vem trazer a resposta d'aquelle recado que lhe encarregou, disse a beata, perseguindo a mulher.

—Farei entregue, respondeu a enfermeira, subindo apressadamente a escadaria.

—Vossemecê não tem vergonha de estar assim com essa teima?