—Uma d'ellas, Magdalena, é um anjo de bondade e formosura.
—E a outra?
—Olympia? Também não é feia, mas é muito gorda. Essa representa o estomago, e a sua irmã o coração. Magdalena ama, suspira e desfaz-se em sentimento. Olympia come, dorme, e emquanto dorme sonha no que ha de comer ao despertar. Afóra isso, é uma creatura esplendida.
—Eis a mulher que me convinha, disse o conselheiro. Confesso-te que já não tenho outra distracção senão a meza. Seria capaz de me casar não pelo coração mas sim pelo estomago! Que verdadeiro achado seria para mim essa Olympia! Uma mulher com bom paladar, que deve infallivelmente saber fazer muito bons doces. Que dorme muito e que come muito!
—Mas tu d'antes não eras assim! disse o visconde accendendo um charuto. O teu typo era a mulher magra, vaporosa, sentimental. Gostavas das olheiras, das rosetas da febre, e sobretudo da pontinha de tosse, como regularmente se diz.
—Isso foi antigamente, meu amigo, quando eu tinha vinte annos, e conservava intacta a riqueza que herdei de meus paes. Porém agora, não; prefiro a mulher sadia, forte, que possa ser uma boa ama de leite para me crear os garotos, se porventura Deus me quizer conceder os deleites da paternidade.
—Que queres? são as circumstancias que me fazem assim pensar.
—Pois meu amigo, habilíta-te e terás em Olympia a mulher que te convém. Junta a todas essas qualidades, um dote de trezentos a quatrocentos contos de réis. Que tal, hein? Agora só te peço uma coisa: se á força da tua vontade, ajudada pelos meus esforços, conseguires realizar este sonho...
—Dirás.