«Vae tudo ás mil maravilhas, pensava elle. Com esta missiva official farei de Tristão quanto me aprouver! Tenho até a certeza que obteria a mão de Magdalena. E porque não hei de requisital-a? Requisital-a não, que ella m'a requisite. Se eu me curvava á filha de um Tristão de Almeida! Parece-me mais razoavel, accrescentou o visconde depois de alguns momentos de graves locubrações, fazer com que o Poderosa consiga a mão de Olympia; feito isso serei eu a entrar em scena. Por agora não, tratemos apenas do titulo. Quem tudo quer tudo perde!»

Vestindo-se em seguida, montou n'um magnifico cavallo inglez, e partiu a trote largo, dirigindo se para o hospital.

Proximo á calçada do marquez de Abrantes, viu que um homem o chamava de dentro de um trem. Estacando de repente o cavallo, approximou-se do postigo da sege.

Era Gil de Carvalho.

—Encontrei-o emfim, disse o jogador. Então onde se póde ver o seu amigo Tristão de Almeida?

—Aonde se póde ver? por ahi, respondeu o visconde.

—Não é isso o que eu queria dizer; perguntava aonde elle joga para lhe pagar as cem libras que sabe.

—Ah! o meu amigo Tristão de Almeida? esse já não joga, respondeu o visconde, mas se lhe quer pagar as cem libras, entregue-m'as, que eu lh'as darei.

—Peior é essa! exclamou Gil de Carvalho, suspendendo o movimento que fizera para tirar as notas da algibeira.

—Então não quer que lh'as entregue? repetiu o visconde, que começava a desconfiar da velhacaria do jogador.