São duas horas da tarde. Martha na vespera havia peiorado! A febre, augmentando-lhe consideravelmente, dera graves receios ao doutor Hermenegildo, distincto facultativo do hospital do magnate.

Ouve-se o rodar de um trem, que pára á porta do operario, e, de dentro d'elle, envolta n'uma comprida capa de velludo preto, apeia-se uma mulher. É a filha de Tristão, Magdalena. Escusado seria dizel-o, que n'essa hora, Olympia, á mesa do lunch, saboreia em doce encantamento as altas locubrações d'um intelligente cozinheiro.

Contra o seu habito, Magdalena vem completamente só. O olhár e a pallidez do rosto, denunciam-lhe um soffrimento profundo. No pisado das palpebras, adivinha-se-lhe o rasto produzido pelas lagrimas. A sua voz, ordinariamente firme e sonora, perturba-se á mais pequena palavra, como receiando que as lagrimas lh'a interrompam! O descuidado da toilette, o desalinho dos cabellos, tudo emfim lhe descobre a tempestade em que se agita o seu coração!

Não era Magdalena, era apenas a sua sombra!

Bate á porta de Jeronymo, e Balbina vem abrir.

Ao vel-a n'esse estado, a mulher do operario não pode occultar o seu assombro.

Jeronymo secunda sua esposa na admiração.