—Que queres pois? perguntou ella, reclinando-se commodamente sobre uma cadeira á voltaire.

—Venho prevenir minha mãe que desejo entrar para um convento antes do prazo de um mez.

—Estás doida, ou variada! exclamou ella como se não acreditasse nas palavras que escutava.

—Nem doida, nem variada! respondeu Magdalena. É uma resolução de que ninguem será capaz de me afastar.

—Mas que te impelle a similhante determinação? Explica-m'o. Quem melhor do que tua mãe poderá ser tua confidente.

—Basta que o saiba Deus, em cujos braços me quero occultar, respondeu-lhe serenamente Magdalena.

—Esta rapariga enlouqueceu! acudiu D. Maria.

—Já respondi a minha mãe que não estava louca, nem tão pouco variada, accrescentou Magdalena sentando-se no sophá.

—Agora que, escudadas por um titulo, vamos brilhar como ninguem na sociedade, é que te queres retirar a um convento?

—Quero agradecer ao Senhor os beneficios que lhe devo, recolhendo-me sob os tectos da sua habitação.