E as avesinhas chilreando por entre a moita dos junquilhos que emmolduravam a montanha, acordavam no espirito de Magdalena um como concerto infernal!

Finalmente, Manuel de Mendonça prometteu-lhe que pediria a Jeronymo a mão de sua filha.

Apertando-lhe fortemente a mão, Magdalena despediu-se do maritimo e saiu do passeio.

Como aturdido por aquelles estranhos acontecimentos, Manuel dirigiu-se para o sitio onde Mascatudo o esperava, e, saindo tambem do passeio dirigiram-se pela rua da Boa Morte.

—Para onde vae, sr. Manuel de Mendonça, perguntou Mascatudo vendo que o seu capitão seguia a direcção da estrada do cemiterio dos Prazeres.

—Preciso de ar livre, respondeu-lhe Manuel. Escalda-me a febre. Para que haviamos de ter vindo a Lisboa?

Era tal a agitação do seu espirito, que Mascatudo nem se atreveu a perguntar-lhe o resultado da entrevista que tivera com aquella senhora.

O mais que entre ambos se passou foi um mysterio. Soube-o ella e Manuel de Mendonça. Agora, quando estas paginas escrevemos, Magdalena dorme o somno da morte. Manuel, discreto como a sepultura da pobre amiga, seria incapaz de o revelar.


XXXIII