Manuel não respondeu!

E no emtanto as aves chilreando por entre as ramas dos arvoredos vinham como n'um concerto infernal soar aos ouvidos da pobre Magdalena!

—Que me diz, sr. Manuel de Mendonça? Hesita? Não a ama? É possivel? Quem póde deixar de amar aquelle anjo?! exclamou Magdalena dando emfim livre curso ás suas lagrimas.

—Mas porque chora? perguntou Manuel de Mendonça dirigindo-se meigamente para Magdalena.

—Porque choro? Porque avalio a dôr de Martha! Porque a sinto tão viva e tão penetrante como ella que a soffre! Porque choro? Porque sei quanta agonia ha, n'esse amar em silencio, o homem que nunca póde ser nosso!

—Pelo que vejo... ama alguem? perguntou Manuel com voz tremula.

—Já amei alguem... sim... mas ha muito tempo. Hoje não, sr. Manuel de Mendonça! Hoje, toda a minha vida cifra-se apenas n'uma missão que tenho a cumprir.

—E essa missão, é?..

—Vel-o casado com Martha. Vão ambos ser muito felizes. Ella ama-o tanto, tanto como eu seria...

Aqui a voz ficou-lhe embargada n'uma torrente de lagrimas.