—É de joelhos que lh'o imploro! ajuntou ella, collocando-se deante da velha, e confundindo as suas vestes de setim negro, com os andrajos da infeliz!

—Eu vos perdôo de todo o meu coração! exclamou D. Marianna de Mendonça cahindo sobre o chão. Mas a quem perdôo eu? accrescentou a infeliz senhora, que não pensava senão em ver seu filho!

—Obrigada, disse Magdalena levantando D. Marianna, e levando-a de encontro ao coração! Agora que lhe perdoou, vou buscar seu filho, e trazel o aqui mesmo.

Com uma physionomia alvar, Balbina contemplava toda esta scena sem a comprehender.

Magdalena fechou-se por alguns instantes no quarto de Martha. Afinal sahiu, e, abraçando de novo as suas amigas, entrou no trem, e seguiu para o hospital.

No entretanto, Manuel de Mendonça descendo a calçada das Necessidades dirigia-se para bordo.


XXXIV

«Felizmente, pensava Magdalena, Manuel de Mendonça nem sequer desconfia que Tristão de Almeida foi Felix Justino de Araujo e muito menos Domingos de Andrade. Poderei conseguir tudo sem comprometter meu pae. Vejamos; seriam quarenta, cincoenta contos... Pedir-lhe-hei o meu dote, e será uma retribuição generosa! Ao principio oppôr se-ha ao meu pedido, mas por ultimo, não terá outro remedio senão acceder. Occultarei tudo de minha mãe. Permitta Deus que o possa encontrar no hospital. São estas as suas horas.»

N'este momento, o trem chegava á rua de S. Francisco de Paula. Ao entrar o portão, a primeira pessoa que lhe appareceu, foi a criada de Olympia, dando lhe os parabens não só pelo titulo que haviam concedido a seu pae, como pelo lindo nome que elle tinha escolhido: o conde de S. Luiz.