—Quem? perguntou Magdalena visivelmente perturbada.

—O meu filho, que ha vinte e tres annos supponho morto!

—Como se chama elle? perguntou Magdalena.

—Manuel de Mendonça Athayde, respondeu a velha com uma voz enfraquecida.

—E seu marido?... como se chamava? ajuntou Magdalena.

-Alvaro de Mendonça...

—Justiça de Deus! exclamou a filha de Tristão, caindo sobre o canapé, e occultando o rosto entre as mãos.

—Oh! mas por Deus não me torture! bradou Marianna, lançando-se aos pés de Magdalena. Diga-me se é elle o meu querido filho! É; não ha duvida! Essa sua perturbação... Vive ainda o meu Manuel, o meu querido filho da minh'alma? Não a deixo, minha senhora, não a deixo emquanto me não contar tudo!

—É o seu filho! respondeu Magdalena levantando-se com uma serenidade heroica. Deus que nunca desamparou os que são verdadeiramente bons, concedeu-lhe em mim o instrumento da sua justiça, e n'elle a consolação para a sua velhice. Agora sr.ª D. Marianna, ajuntou ella lançando-se aos pés da velha, sou eu quem lhe devolve o seu filho, que, em nome de Deus e em meu nome, lhe pedimos o perdão para um culpado! Concede-m'o?

Marianna não sabia que responder!