João Poderosa exultou de alegria! Olympia sentia brincar-lhe o travesso amor nas cavidades estomacaes apontando-lhe ao mesmo tempo as flechas de ouro, ao orgão musculoso do corpo humano, a que vulgarmente se chama coração!

Momentos depois começaram a entrar convidados para jantar; entre esses vinha o visconde de Coruche.

Ao toast, a condessa de S. Luiz declarou que estava justo o casamento de sua filha D. Olympia com o conselheiro João Poderosa.

Em seguimento aos brindes do estylo, não houve quem deixasse de notar que esta declaração não tivesse sido feita pelo conde. Mas que influencia tinha isso? Não fôra esplendido o jantar?!

O que ninguem podia descortinar era o motivo da tristeza do conde de S. Luiz e de Magdalena!

Attribuiam a esta ultima, que uma paixão em silencio pelo visconde de Coruche, era a causa da sua terrivel melancolia.

Em vez de conversarem com as visitas, de fazerem sala, como vulgarmente se diz, Magdalena e seu pae passaram quasi toda a noite n'um pequeno gabinete contiguo a um dos salões.

—Planeiam o modo de agarrar o visconde! dizia um individuo que por mais uma vez intentara fazer a côrte a Magdalena.

—Como se isso fosse uma coisa muito difficil, respondia-lhe o outro. Não tem Magdalena um dote de quatrocentos contos?

—Póde ser que a não ame, e n'esse caso...