—Que innocencia! Quem despreza quatrocentos contos? E sobre tudo o visconde que está sem um vintem.
—Tomáras tu assim estar.
—Olha, quem foi esperto foi o João Poderosa... Quem o ha de agora aturar com quatrocentos contos?
—Felizes dos jogadores!
—Desconfio que não! Já tem comido do pão que o diabo amassou. Não é o conselheiro que torna a arruinar-se.
—Não digas isso. A lei natural é esta: o homem rico, que se arruina e que depois por um bafejo da sorte torna a enriquecer, embriaga-se no fausto e na opulencia, e nunca mais se recorda das terriveis noites de miseria senão quando ellas principiam a despontar vagamente por entre o sol da sua felicidade.
—A mim não me succederia outro tanto.
—És uma excepção.
—A excepção, é o que tu dizes.
—Será o que te aprouver. O que eu não estou é para teimas. Já querias aproveitar esta minha opinião para me ferrares uma estopada. Adeus. Vou lá dentro ver se tomo um grog.