—Buscar uma pessoa a quem desejo pedir perdão antes de morrer, e com quem pretendo ficar sósinho.
A condessa, sem responder uma palavra, foi sentar se na mesma poltrona d'onde momentos antes se havia levantado.
Amparado por aquelle desejo ardente, o conde de S. Luiz parecia de momento para momento ganhar mais tranquillidade.
Um quarto de hora depois, Magdalena entrou de novo no quarto de seu pae, participando lhe a chegada de D. Marianna. O conde fez um gesto significativo a sua mulher, esta comprehendendo o em seguida com uma obediencia passiva, levantou-se e saíu do quarto. Pouco depois entrava D. Marianna de Mendonça e seu filho. Magdalena fechou a porta deixando-os a sós com o conde.
Magdalena dissera-lhe apenas que seu pae os queria ver antes de expirar.
O conde, ao vel-os parados no meio da sala, extranhos e alheios áquella situação, ergueu se n'um supremo esforço, e, chamando-os pelos nomes, convidou-os a approximarem-se do leito.
D. Marianna, accedendo immediatamente aos seus desejos, acercou-se do enfermo.
—Lembra-se D. Marianna de Mendonça, recorda-se Manuel, d'um banqueiro chamado Felix Justino de Araujo, que em 1835 a mandou ir um dia em companhia do seu advogado, levantar um deposito de perto de quarenta contos de réis?
—Lembro-me, respondeu D. Marianna de Mendonça, fixando demoradamente o semblante do conde de S. Luiz.
—Se esse homem, que fez a sua desgraça, que lhe roubou filho, haveres, e por ultimo a razão, debruçado sobre a sepultura, lhe extendesse a mão supplice e arrependida, implorando lhe o perdão para sua alma, que lhe faria?