Balbina, com um pequeno frasco chegado ao labio superior da enferma tentava fazel a aspirar o conteùdo do vidro. De pé, contemplando este doloroso quadro, Jeronymo pedia a Deus se compadecesse de sua familia.
Approximando-se da enferma, o medico tomou-lhe brandamente o pulso, e voltando-se em seguida para Martha, pediu-lhe uma véla, afim de melhor analysar a vista da moribunda.
—Encontro-a muito debil, disse o esculapio em voz baixa; é de suppôr que não a possamos salvar; comtudo, far-se-ha a diligencia, ajuntou elle cravando os olhos no rosto pallido e abatido de Martha.
Abrindo em seguida a caixa dos medicamentos, começou de applicar lhe os que o seu estado exigia.
—Esta senhora pertence á sua familia? ajuntou o medico voltando se para Jeronymo.
—Não, senhor; comtudo minha filha interessa se muito por esta desgraçada; e se não fosse Martha, talvez a tivessem mandado para o hospital.
—Se a teem removido d'este leito, ao chegar lá seria um cadaver, retorquiu o doutor, palpando a fronte da enferma.
—Parece lhe que poderemos ter esperanças? perguntou Martha, approximando se do leito.
—Veremos á noite. Sendo sete horas, se poder, voltarei; e, despedindo-se dos circumstantes, saiu d'aquella casa, levando impressa na memoria a imagem candida e celeste da filha do operario.
Os moveis da tia Marianna reduziam se ao pequeno leito de espinheiro onde jazia, uma enorme papelleira, um bahu, e quatro cadeiras de palhinha, completamente estragadas nos assentos.