Roupas, se as havia, estavam fechadas; e nem ella lh'o podera responder, nem era dado a Balbina o perguntar-lh'o n'esse momento. Dirigindo se a casa, trouxe d'alli quanto necessario lhe pareceu afim de alliviar no que podesse os incommodos da enferma.

—Sempre lhe gabo a pachorra, disse a sr.ª Margarida, ao ver os lençoes alvos como a neve, que a mulher do operario levava no braço. Estar estragando assim as suas roupas brancas com quem pouco póde viver! Não era eu, que Deus me livrasse! E demais, sr.ª Balbina, uma pobre de Christo como a tia Marianna, mais lhe valera o ir para o hospital. Supponha a senhora que fica para ahi entrevada, quem ha de sustental-a?

—Deus nunca faltou a pessoa alguma, sr.ª Margarida; e demais, cada qual que se metta com a sua vida, que eu pela minha parte nunca me intrometto com as alheias, respondeu Balbina, cortando pelo fio as palavras da capellista, e dirigindo-se para casa da tia Marianna, onde a esperavam Martha e seu marido.

A velha havia recobrado a razão, e sorria-se brandamente para a filha do operario, como se n'aquelle olhar significativo estivesse agradecendo a Deus o anjo que a Providencia lhe havia deparado n'esse momento de suprema angustia.

Jeronymo e Balbina, assentados n'um bahu, olhavam para aquelle quadro enternecedor, pedindo ao mesmo tempo nas suas preces silenciosas que lhe livrassem sua pobre filha.

Meia hora depois de arranjada a cama, a velha sentiu-se mais alliviada. As horriveis dôres por que passara, iam-lhe diminuindo a pouco e pouco, e á face, de pallidez mortal, subira-lhe de novo o calor e a vida.

Nem uma só das visinhas, approximando se á sua porta, foram pelo menos indagar o estado da sua doença.

Ás sete horas, como o havia promettido, voltou o doutor. A enferma estava livre de perigo.


IV