—Sentemo nos, disse Tristão apontando lhe para o sophá. Minha esposa, que tem o habito de empregar na pobreza a mezada que lhe dou para os seus alfinetes, lembrou-se ha dias de gastar uns contos de réis n'um asylo de creanças desvalidas. Que lhe parece a idéa?
—Não a póde haver melhor, respondeu o visconde, e se vossa excellencia m'o permitte, desde já me comprometto a fazer com que minha tia, a sr.ª condessa de Villa Velha, venha immediatamente procural-o afim de o iniciar n'essas associações. Recordo me d'ella, porquanto é uma das mais assiduas obreiras do grande monumento da caridade. Não ha asylo para que não seja consultada e é sempre a sua opinião a que prevalece sobre todas as outras. Se vossa excellencia quer, o meio é muito simples, e torno a repetir-lhe, hoje mesmo me encarrego de tudo.
—Pois meu caro amigo, acudiu fleugmaticamente Tristão de Almeida, não me associo á opinião de minha mulher nem á sua. Tenho outra idéa, e creio que será muito mais razoavel.
—Sim?...
—É verdade. Lembrava-me de fundar um hospital para os enfermos atacados de febre amarella. Isso em primeiro logar; depois, quando este terrivel flagello tiver abandonado Lisboa, então sim, então adoptarei a idéa que teve minha mulher.
—Approvo, e desde já devo confessar que tanto eu como sua excellentissima esposa ficamos completamente vencidos.
—Approva?
—Applaudo.
—E dispensa-me a sua protecção n'esta pequena obra de caridade?
—Conte commigo, respondeu o visconde puxando pela charuteira e offerecendo um magnifico havano ao seu interlocutor.