—Poderemos hoje mesmo começar os nossos trabalhos? perguntou Tristão de Almeida, acceitando o charuto que lhe fôra offerecido.

—Quando queira, respondeu o visconde de Coruche, tirando da algibeira do collete uma caixa de phosphoros magnificamente cinzelada.

—Vamos então procurar o commendador e seguiremos d'alli para casa de Vaz Mendes. Tanto um como o outro é de suppôr que nos possam ajudar em muito.

—Assim o creio, murmurou o visconde, accendendo o charuto e passando-o a Tristão de Almeida.


Momentos depois entrava este para dentro do trem do visconde. Quando a carruagem saia o portão e voltava para a rua do Ferregial, espantou-se o cavallo da sella, e esbarrando no passeio, atropellou um individuo, deixando-o sem sentidos. Sairam ambos e levantaram o desgraçado.

Pegando elles mesmos no corpo inerte da victima, transportaram n'a para o hotel de Bragança.

Tristão de Almeida expediu logo dois creados em procura de medico. Por excepção, o doutor não tardou meia hora!... Das feridas que o atropellado recebera na cabeça nenhuma era de gravidade, comtudo não havia tornado a si.

Tristão de Almeida, com a mão do enfermo entre as suas, parecia com profundo interesse procurar-lhe a vida nas pulsações. Seria calculo ou verdadeira caridade? Sabia o Deus!

Terminado o curativo, o homem descerrou as palpebras, fitando o que havia em torno de si com olhar turvo e desvairado.