—Deus sabe! Oh! mas elle não me mentiu! respondeu Martha. Tenho tanta fé nas suas palavras! Se a mãe visse como elle me disse: «vá para casa, que ainda hoje hei de descobrir onde está seu pae.»

—E é muito novo esse homem? interrompeu Marianna.

—Uns trinta annos.

—Felizmente, ainda se pode dizer que a mocidade não está perdida de todo.

N'este momento, Balbina approximava-se da porta, preparando-se para sair.

—Mas onde vae? exclamou Martha. Pelo amor de Deus, minha mãe... Tenha prudencia! Onde pretende encontral-o? Na rua? Já vê que se lhe tivesse acontecido alguma desgraça, estaria infallivelmente em algum dos hospitaes, e graças a Deus, tal não succede.

—Embora! hei de encontral o, respondeu a pobre mulher tentando dar volta á chave para sair.

Marianna e Martha, ajoelhadas deante da pobre esposa, tentavam impedir-lhe a passagem.

E ella então, comprehendendo a inutilidade da sua saida, caiu de joelhos deante da imagem de Nossa Senhora. Imitando-a, Martha e Marianna acompanharam-n'a na sua oração.

E o relogio, seguindo n'um rumor compassado, continuava na sua material indifferença marcando os segundos e os minutos, ao som da chuva que, batendo de encontro aos vidros, ainda mais sombrio tornava aquelle quadro de amargura.