—Pois supporte-a vossemecê, que eu pela minha parte já estou farta. E demais, nós as criadas não temos obrigação de aturar doidas. Se a tal me quizesse sujeitar, ia para o hospital de S. José, onde tinha melhor ordenado do que n'esta casa. Vossemecê, que é mais antiga do que eu, se gosta, sopeteie, que quanto a mim, não tenho mais nada se não arranjar o bahu, pôr o capote e o lenço, e pés para que te quero.

É que não sei; não sei o que hei de fazer á minha vida. Valha-me Deus, para que estava guardada.

—Estivesse eu no seu caso; eu lh'o diria.

—Então o que havia de fazer?

—Chamar o regedor e ferrar com ella no hospital.

—E esta casa? Quem ha de ficar n'esta casa?

—Ora essa sr.ª Maria Gertrudes! Ficavamos nós emquanto o filho não viesse.

—E sabemos por ventura aonde está o filho?

—Onde está! Está no estrangeiro. Bem se vê que a sr.ª Maria Gertrudes não é mulher d'este tempo. Boa está. Olha que grande difficuldade! Pensa talvez que não sei como essas coisas se fazem. Para que servem os correios? Não tem mais nada senão pôr: ao sr. Manuel de tal, e em baixo: pelo correio do Estrangeiro, em letras muito grandes.

—Isso lá é verdade; e quanto tempo pode levar isso tudo?