—Veremos como se porta o brazileiro.

—Até agora, não ha razão de queixa, segundo me disseram. Lá ficou n'um bello quarto do hotel, tendo por enfermeiras a mulher do magnata, e as duas filhas.

—Tenho pena de não ter sido eu o atropellado, só para ter taes enfermeiras.

—Vocês vão d'aqui para o Marrare de Polimento, ou ficam ainda a descobrir a mysteriosa individualidade do menino de ouro, como se diz na minha terra?

—Vamos para o Marrare, responderam os outros tres, dirigindo-se pela rua do Chiado.

Reflectindo em que o atropellado podia muito bem ser o pae de Martha, o mysterioso protector da infeliz criança seguiu os quatro individuos até á sua entrada no Marrare de Polimento.

Entrou tambem.

O que primeiro falára do acontecimento ficou á porta assobiando alegremente; os outros dirigiram-se para os bilhares.

—Deve estranhar uma pergunta que lhe vou fazer, disse o desconhecido interrompendo o assobio do dilettante. Ha tres horas que procuro um individuo que desappareceu de sua casa. Quando me apeei de um trem no Largo das Duas Egrejas, percebi que falavam ácerca de uma pessoa que tinha sido atropellada, e confesso-lhe que commetti a indiscrição de os escutar. Póde ser que seja esse o mesmo individuo que procuro.

—Talvez, respondeu amavelmente a pessoa a quem estas palavras foram dirigidas. O que sinto é não lhe poder dizer o seu nome. Sei apenas que está no Hotel de Bragança.