Junto ao leito o desconhecido olhava-o caridosamente, levando-lhe de vez em quando a mão á fronte.

Momentos depois os olhos do operario, até alli brandamente cerrados, abriram-se como que para contemplar o desconhecido, que fitando-o parecia descobrir-lhe nas feições alguma similhança com as da pobre Martha. N'este comenos o enfermo fez um movimento como se tentasse falar.

Manuel, o creado que lhe servia de enfermeiro, approximando-se suavemente, perguntou-lhe se desejava alguma cousa.

—Falar... mas... não posso, murmurou o infeliz Jeronymo, deixando cair sobre o colchão o braço direito que tentára levantar.

O desconhecido approximou-se ainda mais.

—E ainda não houve meio de se saber quem é este homem?

—Ouviu aquellas palavras que elle disse? Foram as primeiras! respondeu o creado.

—Como se chama vossemecê, perguntou o desconhecido debruçando-se sobre o leito.

—Jeronymo, balbuciou o pobre; e a minha familia mora na rua do Meio, á Lapa.