—Em que quer a minha mãe que eu pense? tartamudeou Olympia, fazendo-se vermelha como a fita que lhe cingia o collo.

No entretanto, o visconde, Vaz Mendes e Lopes de Miranda conversavam em voz baixa n'um dos angulos do quarto.

—O que lhes peço, disse Tristão approximando-se de Balbina e de sua filha, é que estejam aqui tanto á sua vontade como em casa propria. Fiquem certas que coisa alguma lhes faltará. Se necessario fôr que seu homem aqui se demore, o que espero em Deus tal não permitta, não consinto que d'aqui se afastem. E emquanto a vossemecê, ajuntou Tristão dirigindo-se a Jeronymo, não se persuada que fica sem trabalho; apenas estiver melhor, ha de fazer-me o plano de uma obra que vamos immediatamente principiar e de que o meu amigo fica encarregado.

Nos olhos do pobre Jeronymo deslizaram duas lagrimas de gratidão.

Absortas na contemplação de Jeronymo, Balbina e sua filha ouviam as palavras de Tristão como se não as comprehendessem.

—Agora que terminaram os cuidados, e que seu marido está livre de perigo, disse o visconde approximando-se do leito do operario, agradeçam á Providencia o ter lhes deparado a mão que os veiu arrancar da pobreza, ajuntou elle, voltando-se para Balbina que o contemplava como que assombrada.

—Minha santinha, ás vezes, d'onde a gente menos o espera, é d'ahi que provém ou grande mal ou uma grande ventura, disse Lopes de Miranda approximando-se do visconde.

—Será a ultima, acudiu rapidamente D. Maria Egypciaca, collocando protectoramente sobre os hombros de Balbina a sua mão direita, cujos dedos cravejados de brilhantes feriram os olhos verdes e entristecidos da pobre Martha.

—Vamos dar ordem para que tragam alguma coisa de comer a esta gente, disse Olympia, puxando pela saia de sua mãe.

—Safa, inimigo! Que esta rapariga não pensa n'outra coisa senão em comer, resmungava D. Maria Egypciaca á proporção que, seguida dos seus hospedes, saía do quarto de Jeronymo.