—Volto portanto aqui?

—Já se vê.

—Quer que vá já?

—Quero.

—Era melhor ter-me dito isso lá em terra, ponderou judiciosamente o marinheiro.

—Quiz antes pedir-te isso sobre as aguas do mar.

—Pois então, sr. Manuel de Mendonça, como bom maritimo que sou, irei sondar esses mares desconhecidos, e tenho fé em Deus, que em poucos dias poderemos navegar de vento em pôpa, sem que o mais leve indicio de temporal nos faça perder o rumo. O que eu não quero é vel-o assim entristecido, accrescentou o fiel marinheiro, fixando a vista na melancolica physionomia do seu commandante.

—Pensas talvez que me sinto prezo a essa mulher? perguntou Manuel com aquella pueril ingenuidade de que se revestem os espiritos sujeitos ás mysteriosas influencias do amor!

—Não sei, respondeu Mascatudo, mas apostava que sim. Ás vezes, tudo está no começar. O maior temporal principia a levantar-se por uma brisa serena.

—Espero em Deus que essa aragem que tu adivinhas, nunca seja nuncia de nenhuma tormenta.