—Acompanhas-me, Luiz? Tenho tanto desejo de ir visitar aquella gente... e comtudo não me sinto com valor.
—Ora essa, meu capitão, da melhor vontade! Não sei o que li n'aquelles olhos verdes de Martha; ainda se me não poderam tirar da memoria! Póde ser que me engane, mas essa menina é um anjo! Ha na meiguice do seu olhar um não sei quê, que me prendeu!
—Será isso uma illusão da tua parte?
—Nem por sombras! Se a visse, quando eu prometti a sua mãe que faria com que o senhor lá fosse...
—Então mostrou muitos desejos de me ver? perguntou Manuel com essa visivel curiosidade dos namorados, e como desejando prolongar a conversação de Mascatudo.
—Se mostrou! Ao principio fez-se branca como a cal da parede, e em seguida tornou-se vermelha como uma romã. Havia tanto interesse no seu olhar, quando me falou a respeito do senhor, que logo comprehendi que alguma coisa se passava no seu coração.
—Pois então, meu amigo, o que tem de ser, seja. É Deus que o determina: iremos hoje vel-os. Passava-se este dialogo a bordo da galera Esperança, no mesmo dia e á mesma hora em que o visconde de Coruche expunha a Tristão de Almeida, no gabinete do hotel Bragança, as graves conveniencias que lhe resultariam da sua philanthropica resolução.
Subindo á tolda, Manuel mandou apromptar o escaler e veiu para terra em companhia de Mascatudo.
Dirigiu se ao hotel.
Ao subir a escada que conduzia aos quartos de Jeronymo, sentiu que um mundo novo e inteiramente estranho se desenrolava a seus olhos! Receioso pelo sentimento que lhe perturbava o espirito, o marinheiro quasi pedia á Providencia, que qualquer circumstancia fortuita lhe viesse impedir a realização dos seus desejos!