Ao contemplarem a magnificencia da baixella, Vaz Mendes e o commendador entreolhavam-se, assombrados por tanta riqueza.
Tristão olhava para tudo com um gesto de profunda indifferença! Um objecto apenas se tornou o alvo da sua attenção: foi o centro de prata, de que já falamos ao leitor.
Havia muito que elle desejava occultar a sua admiração; por ultimo não se conteve.
—É de suppôr que saiba o que alli tem, disse Tristão voltando-se para o visconde, e apontando ao mesmo tempo para as tres graças.
—Sei. É magnifico! Atribuem-n'o ao cinzel não sei de que artista notavel, cujo nome me não lembra, respondeu o visconde.
—Vale um bom par de contos de réis, replicou Tristão dirigindo-se a Vaz Mendes.
«Forte asno, murmurou o banqueiro para comsigo.
«Está doido! pensou o commendador.
«Achei! disse o visconde falando com o seu coração.
«Fortes nescios! reflectiu Tristão, que pelos differentes jogos das suas physionomias, lhe adivinhára os pensamentos.»