XX
São nove horas da noite. D. Maria Egypciaca, de pé, encostada a um bufete, aguarda com palpitante anciedade a volta de seu marido.
Olympia, agitando-se impacientemente pelo salão, contempla de vez em quando o mostrador de uma pendula, como implorando aos ponteiros que bem depressa lhe marquem a hora da ceia!
Magdalena, reclinada ao parapeito da varanda, fita o astro da noite, que, reflectindo-se sobre as aguas do Tejo as cria de um brilho triste e melancholico.
—Não te demores ahi á janella, disse D. Maria Egypciaca, voltando-se para sua filha. A noite, como vês, começa a arrefecer, e os tempos não estão para brincadeiras.
—Não receíe, minha mãe, respondeu Magdalena. Sinto-me aqui tão bem.
—Faze o que quizeres.
—Em todo o caso, se minha mãe está com susto, eu retiro-me, disse Magdalena saindo da janella.
—Sabes que já me vae dando algum cuidado esta demora de teu pae. São estas horas e elle sem apparecer.