POR T.A.G.
SEGUNDA PARTE.
LISBOA: 1824.
Na Typ. de J.F.M. de Campos.
MARILIA DE DIRCEO
LYRA I.
Já não cínjo de loiro a minha testa,
Nem sonoras Canções o Deos me inspira:
Ah! que nem me resta
Huma já quebrada,
Mal sonora Lyra!
Mas neste mesmo estado em que me vejo,
Pede, Marilia, Amor que vá cantar-te:
Cumpro o seu desejo;
E ao que resta supra
A paixão, e a arte.
A fumaça, Marilia, da candêa,
Que a molhada parede ou çuja, ou pinta;
Bem que tosca, e fêa,
Agora me póde
Ministrar a tinta.
Aos mais preparos o discurso apronta:
Elle me diz, que faça no pé de huma
Má laranja ponta,
E delle me sirva
Em lugar de pluma.