Assim vivia:
Hoje em suspiros
O canto mudo:
Assim, Marilia,
Se acaba tudo.

LYRA X.

Arde o velho barril, arde a cabeça,
Em honra de João na larga rua;
O credulo Mortal agora indaga,
Qual seja a sorte sua?

Eu não tenho alcaxofra, que á luz chegue,
E nella orvalhe o Ceo de madrugada,
Para ver se rebentão novas folhas,
Aonde foi queimada.

Tambem não tenho hum ovo, que despeje
Dentro de hum cópo d'agua, e possa nella
Fingir Palacios grandes, altas Torres,
E huma Náo á véla.

Mas, ah! em bem me lembre: eu tenho ouvido
Que na boca hum bochecho d'agoa tome,
E atráz de qualquer porta attento esteja,
Até ouvir hum nome.

Que o nome, que primeiro ouvir, he esse
O nome, que ha de ter a minha amada:
Pode verdade ser, se fôr mentira,
Tambem não custa nada.

Vou tudo executar, e de repente
Ouvi dizer o nome de Filena:
Despejo logo a boca: ah! não sei como
Não morro alli de pena!

Apparece Cupido: então soltando
Em ar de zombaria huma risada.
E que tal, me pergunta, esteve a peça?
Não foi bem pregada?

Eu já te disse, que Marilia he tua:
Tu fazes do meu dito tanta conta,
Que vais acreditar, o que te ensina
Velha mulher já tonta.