Ah! ensina, sim ensina
Ao vil mortal atrevido,
E ao peito que adora terno,
Que tem para hum Inferno,
Para o outro hum Ceo, Cupido.
Ao resto Amor me convida;
Eu chorando a mão lhe beijo:
E lhe digo, Amor, perdôa
Não seguir-te; pois não vôa
A vêr mais o meu dezejo.
LYRA II.
Em vão do amado
Filho que foge,
Venus quer hoje
Noticias ter.
Sagaz, e astuto
Elle se esconde
Em parte aonde
Ninguem o vê.
Dos signaes dados
Bem se conhece,
Que elle aborrece
A Mãi que tem.
Se os seus defeitos
Ella publíca,
Razão lhe fica
De se offender.
Foge o Menino,
E disfarçado
Vive abrigado
N'uma cruel.
Com mil caricias
A impia o trata;
Nem o desata
Do peito seu.
Se a semelhança
Sempre amor gera,
Deve huma fera
Outra accolher.