LYRA IV.
Amor por acaso
A hum pouso chegava,
Aonde accolhida
A Morte se achava.
Risonhos, e alegres
Os braços se dérão,
E as armas unidas
N'um sitio pozerão.
De emprezas tamanhas
Cansados já vinhão,
E em larga conversa
A noite entretinhão.
Hum conta que ha pouco
A seta aguçada
Em huma belleza
Deixára empregada.
Diz outro que as flexas
Cravára no peito
De hum grande, que teve
O Mundo sujeito.
Em quanto das forças
Cada hum persumia,
Seus membros já laços
O somno rendia.
Dormindo tranquillos
A noite passárão,
E inda antes da Aurora
Com ancia acordárão.
He tempo que o leito
Deixemos, ó Morte;
Amor, já erguido
Fallou desta sorte.
He tempo, em resposta A morte repete, Que á nossa fadiga Dormir não compete.