As armas colhamos,
Voltemos ao giro:
Cada hum a seu gosto
Empregue o seu tiro.
Vão inda c'os olhos
Em somno turbados,
Ao sitio em que os ferros
Estão pendurados.
Amor para as setas
Da morte se enclina:
De amor logo a Morte
C'o as flexas atina.
Oh golpes tyrannos!
Oh mãos homicidas!
São tiros da Morte
De Amor as feridas.
De hum sonho, que pinto,
Marilia conhece,
Se amor, ou se morte
Este alma padece.
LYRA V.
Eu não sou, minha Nize, pegureiro,
Que viva de guardar alhêo gado;
Nem sou pastor grosseiro
Dos frios gêlos, e do Sol queimado,
Que veste as pardas lãs do seu cordeiro.
Graças, ó Nize bella,
Graças á minha Estrella!
A Cresso não igualo no thesouro:
Mas deo-me a Sorte com que honrado viva.
Não cinjo corôa d'ouro;
Mas Póvos mando, e na testa altiva
Verdeja a Corôa do Sagrado Louro.
Graças, ó Nize bella,
Graças á minha Estrella!
Maldito seja aquelle, que só trata
De contar escondido a vil riqueza!
Que cego se arrebata
Em buscar nos Avós a vã nobreza,
Com que aos mais homens seus iguaes abata.
Graças, ó Nize bella,
Graças á minha Estrella!
As fortunas que em torno de mim vejo,
Por falsos bens que enganão não reputo;
Mas antes mais desejo,
Não para me voltar soberbo em bruto
Por vêr-me grande quando a mão te beijo.
Graças, ó Nize bella,
Graças á minha Estrella!