Pela Ninfa que jaz vertida em Louro,
O grande Deos Apollo não delira?
Jove mudado em Touro,
E já mudado em Velha não suspira?
Seguir aos Deoses nunca foi desdouro.
Graças, ó Nize bella,
Graças á minha Estrella.
Pertendão Hanibaes honrar a Historia,
E cinjão com a mão de sangue chêa
Os louros da victoria.
Eu revolvo os teus dons na minha idéa:
Só dons que vem do Ceo são minha gloria.
Graças, ó Nize bella,
Graças á minha Estrella!
LYRA VI.
Traducção.
Amor que seus passos
Ligeiro movia,
Por mil embaraços
Que hum bosque tecia.
Nos hombros me acena
Com brando raminho;
E logo me ordena
Que siga o caminho.
Por entre a espessura
Do bosque me avanço:
E a traz da ventura
Incauto me lanço.
Já tinha calcado
Os montes mais duros:
C'o peito rasgado
Os rios escuros.
Eis que huma serpente
A lingua vibrando,
Me crava o seu dente,
Me deixa espirando.
Então surprendida
Da dôr que a traspassa,
Minha alma ferida
Aos beiços se passa.