Vingai, ó justos Ceos…, mas ah! [~q] digo?
Que maltrateis Lidora? o sentimento
Privou-me do discurso, eu me desdigo.

Não, não vibreis o raio violento;
Pois sei que a compaixão do seu castigo,
Hade augmentar depois o meu tormento.

SONETO XI.

A Deos cabana, a Deos; a Deos, ó gado,
Albina ingrata, a Deos, em paz te deixo:
A Deos doce rabil, neste alto freixo
Te fica ao meu destino consagrado.

Se te for meu successo perguntado,
Não declares rabil de quem me queixo;
Não quero que se saiba vive Aleixo
Por causa de huma infame desterrado.

Se vires a Pastor desconhecido,
Lhe dize então piedoso: Ah! vaite embora,
Atalha os damnos, que outros tem sentido.

Habita nesta Aldêa huma Pastora
De rosto bello, coração fingido,
Humas vezes cruel, e as mais traidora.

SONETO XII.

Com pezadas cadeias maniatado,
Ás vozes da razão insurdecido,
Dos Ceos, de mim, dos homens esquecido
Me vi de amor nas trévas sepultado.

Alli aliviava o meu cuidado
Cõ dar de quando em quando algum gemido:
Ah tempo! que sómente reflectido
Me fazes entre as ditas desgraçado.