Ao Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Visconde de Barbacena, Francisco Furtado de Mendonça.

SONETO IX.

Nascer no berço da maior grandeza,
De palmas, e de louros rodeado,
Deve-se aos grandes Pais, ao Tronco honrado,
Que illusrra desde longe a natureza.

Se porém muito mais se adora, e preza
O dom que o nobre sangue trás herdado
Pela propria virtude sustentado,
Feliz o objecto da presente empreza.

De mil Heróes no Téjo vencedores
Hum ramo nasce, hum ramo que a memoria
Faz immortal de seus Progenitores.

Eu leio em vaticinio a sua historia;
Une Francisco a par de seus maiores
Ao herdado explendor a propria gloria.

Ao mesmo excellentissimo Visconde.

SONETO X.

Mudou-se em fim Lidora, essa Lidora
Por quem mil vezes fé me foi jurada;
Que vos detem (ó Ceos!) que castigada
Ainda não deixais tão vil traidora?

Não haja piedade: sinta agora
A dita sem remedio em mal trocada;
Pois se assim não succede, fica ousada
Para ser outra vez enganadora.