SONETO VII.

Quantas vezes Lidora me dizia,
Ao terno peito minha mão levando,
Conjurem-se em meu mal os Astros, quando
Achares no meu peito aleivosia.

Então que não chorasse lhe pedia,
Por firme seu amor acreditando;
Ah! que em movendo os olhos suspirando
Ao mais acautellado enganaria.

Hum anno assim viveo: ó Ceos! agora
Mostrou que era mulher: a natureza
Só por não se mudar a fez traidora.

Não, não darei mais cultos á belleza,
Que depois de faltar á fé, Lidora,
Nem creio que nas Deosas ha firmeza.

SONETO VIII.

O Numen Tutelar da Monarquia,
Que fez do grande Henrique a invicta espada,
Procurou dos Destinos a morada,
Por consultar a idade que viria.

A mil, e mil heróes descriptos via,
Que exaltão de Furtado a estirpe honrada,
E na serie, que adora dilatada,
O nome de Francisco descobria.

Contempla huma por h[~u]a as letras d'ouro,
Este penhor, que o tempo não consome,
Promette ao Reino seu maior thesouro.

Prosta-se o Genio: e sem [~q] a empreza tome
De lhe buscar sequer mais outro agoiro,
O sitio beija, e lhe mostra o nome.