Ao Templo do Destino fui levado:
Sobre o Altar hum Cofre se firmava,
Em cujo seio cada qual buscava
Tremendo annuncio do futuro estado.

Tiro hum papel, e leio: Ceo Sagrado!
Com quanta causa o coração pulsava:
Este duro Decreto escrito estava,
Com negra tinta pela mão do Fado.

Adore Polidoro a bella Ormia, Sem della conseguir a recompensa, Nem quebrar-lhe os grilhões a tyrannia.

Das mãos, Amor mo arranca, e sem detença
Tres vezes o levando á boca impía,
Jurou comprir á risca a tal sentença.

SONETO VI.

Ergue-te, ó Pedra, e desde a margem fria,
Que os muros banha a Lusitana Athenas,
Mostra-me as desmaiadas assucenas
Do rosto que me occupa a fantasia.

Deixa [~q] eu beije a mão, [~q] pôde hum dia
Ceder de amor ás lastimosas scenas;
Q'entre as ancias, a dôr, a mágoa, as penas
Renove a saudosa idolatria.

Solto do véo mortal, oh Feliz Astro,
Une ao cadaver a truncada testa,
Levanta o bello cólo de alabastro:

Huma alma grande junto a ti protesta
Fazer a gloria da defunta Castro;
A illustre Neta vez: Maria he esta.

Á Illustrissima e Excellentissima Senhora Condessa de Cavalleiros, D. Maria José de Eça e Bourbon.