Quando contra os Irmãos o braço armava
O forte Nuno oppondo escudo, a escudo;
Quando a palavra que perfere a tudo
Com a barba arrancada João firmava.

Quando a mulher á sombra do marido
Tremer se via: quando a Lei prudente
Zelava o sexo do civil ruido;

Feliz então, então só innocente
Era de Luso o Reino: oh bem perdido!
Ditosa condição, ditosa gente!

SONETO XV.

Sombras illustres dos varões famosos,
Que á Grecia, e Roma destes Leis hum dia;
Vós que do Elysio na região sombria
Respiraes entre os Zefiros mimosos.

Grande Licurgo, ó tu Solon, [~q] honrosos
Louros cingis, que egregia companhia
Fazeis aos Mazzarinos, eu queria
Adorar vossos vultos magestosos.

Vós fizesteis da vossa Patria a gloria;
Por vós hoje he feliz a humanidade:
Que dignos sois de huma immortal historia!

Cesce, cesse porém vossa vaidade;
Que basta a escurecer vossa memoria
Hum Carvalho, que adora a nossa idade.

Ao Illustrissimo e Excellentissimo Senhor Marquez de Pombal reformando a Universidade de Coimbra.

SONETO XVI.